Imagine que você é um piloto de avião
contratado para um voo de longa duração. No meio
da viagem, uma forte tempestade obriga-o a fazer um
pouso de emergência. Você tem duas opções: acionar
o piloto automático ou assumir manualmente o controle das diversas variáveis necessárias para
a realização do procedimento em segurança. Devido a condições locais inesperadas e
inapropriadas, a escolha pelo piloto automático fica inviável, de forma que a responsabilidade
pelo futuro de centenas de pessoas está agora em suas mãos…
Diariamente em nossa rotina clínica, nos deparamos com situações semelhantes ao
exemplo acima. Somos responsáveis pelo destino de centenas de pessoas, que decidem
embarcar nessa longa e árdua jornada do tratamento ortodôntico. Elas confiam em nosso
conhecimento e experiência, para que seus sorrisos sejam não somente preservados, mas
também aprimorados.
Os objetivos de um tratamento bem-sucedido já foram muito bem definidos pelo
primeiro especialista em Ortodontia, Dr. Charles Tweed: saúde, estética, função e estabilidade
dos dentes e seus tecidos de suporte. Para atingir essas metas, o profissional requer um profundo
conhecimento de diversas áreas da Odontologia. Como principais variáveis a serem
compreendidas e controladas durante um tratamento, podemos citar: crescimento craniofacial,
biogênese da dentição, biologia da movimentação dentária, métodos de diagnóstico e
planejamento, bem como técnicas para aplicação dos diversos recursos mecânicos disponíveis
para a correção das alterações dentofaciais.
Os profissionais que desejam ingressar no fascinante mundo da Ortodontia não podem
limitar-se apenas ao domínio de uma ou outra técnica em especial. Muito menos podem
acreditar que existem aparelhos capazes de conseguir resultados milagrosos. Infelizmente,
muitas vezes os resultados tornam-se desastrosos. Por quê? Porque a complexidade das
variáveis envolvidas no tratamento ortodôntico pode conduzir à perda do controle das mesmas.
Enquanto alguns objetivos são atingidos, como por exemplo a melhor aparência estética de
arcos dentários alinhados, ao mesmo tempo outros problemas graves podem estar sendo
negligenciados, ou até mesmo criados. A falta de guias funcionais adequados, intercuspidação
insatisfatória, interferências oclusais e distúrbios articulares são apenas algumas das sequelas
comumente observadas após tratamentos inapropriados.
Este primeiro post não tem a intenção de discutir os inúmeros motivos responsáveis pela
queda na qualidade dos serviços prestados por alguns especialistas. Precisaríamos de muitos
posts para abranger essa questão. Minha ideia, na qualidade de profundo admirador e estudioso
da Ortodontia, consiste em chamar a atenção dos colegas para a necessidade de uma discussão
séria e abrangente sobre tópicos essenciais da nossa especialidade.
Trabalharemos em nosso blog com a divulgação de princípios científicos em
Biomecânica Ortodôntica, pois sabemos que a ÚNICA ferramenta à disposição do profissional
para realizar qualquer movimentação dentária é a FORÇA ortodôntica. Assim, o conhecimento
de como os sistemas de forças atuam torna-se essencial para uma prática clínica segura e
efetiva, independentemente do tipo de aparelho que você utiliza.
Braquetes convencionais, autoligados, aparelhos invisíveis e qualquer outro dispositivo
ortodôntico são governados pelas leis exatas e imutáveis da física. Vale a pena investir no
conhecimento dessas leis, pois por mais que nossa especialidade avance, e por mais que surjam
novos conceitos e aparelhos, você saberá compreendê-los e utilizá-los, pois VOCÊ ESTARÁ
NO CONTROLE!